Você já parou para pensar em como gostaria de estar daqui a 10, 20 ou 30 anos? Eu penso nisso cada vez que coloco a mochila nas costas, encaro uma trilha ou observo uma montanha surgindo no horizonte. Muitas vezes, associamos o avanço da idade a uma desaceleração inevitável da vida. Mas, aos 64 anos, tenho aprendido que envelhecer também pode significar continuar em movimento, buscar novos desafios e descobrir outras formas de liberdade.
Enquanto algumas pessoas encontram conforto no sofá, eu me sinto bem colocando a mochila nas costas e seguindo em direção ao horizonte. Isso não significa ignorar os limites do corpo ou agir sem responsabilidade. Pelo contrário: uma expedição exige planejamento, preparação física, conhecimento, segurança e respeito à natureza.
O Monte Roraima é uma das formações geológicas mais antigas do planeta. Chegar até ele exige dias de caminhada, subidas íngremes, disposição para enfrentar terrenos irregulares e resiliência diante de um clima que pode mudar rapidamente. Já o Pico da Neblina, ponto mais alto do Brasil, está localizado no coração da Floresta Amazônica. É uma expedição marcada pelo isolamento, pela intensidade do percurso e pela dimensão cultural e ambiental do território.
Para mim, lugares como esses nunca foram apenas destinos turísticos. São ainda como templos de saúde, reflexão e aprendizado. Cada expedição funciona como um combustível. Durante o caminho, encontro forças que nem sempre sabia que possuía. Quando retorno, sinto o corpo cansado, naturalmente, mas também percebo a mente renovada e a vontade de continuar vivendo novas experiências.
Gosto de pensar que meu exemplo pode ajudar especialmente as pessoas mais jovens a olharem para o envelhecimento de outra maneira. Chegar a essa idade pode ser muito mais prazeroso, livre e desafiador do que muitas vezes imaginamos.
Envelhecimento saudável se constrói em movimento
Para mim, a vida é movimento. Caminhar em terrenos irregulares, subir montanhas e carregar os equipamentos necessários para uma expedição são atividades que exigem força, equilíbrio, resistência e concentração. Ao longo dos anos, essa rotina contribuiu para que eu preservasse minha disposição e minha autonomia.
A ciência também ajuda a compreender parte desses efeitos. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a prática regular de atividade física está associada a benefícios para a saúde cardiovascular, muscular, óssea, mental e cognitiva. Em pessoas mais velhas, ela também pode contribuir para a manutenção da mobilidade, da independência, da memória e da capacidade de realizar as atividades valorizadas em sua vida.
Sinto esses benefícios no meu cotidiano. O contato com a natureza me ajuda a organizar os pensamentos, manter o foco e olhar para os problemas por outras perspectivas. Uma montanha exige atenção ao presente. É preciso observar o terreno, controlar a respiração, administrar a energia e decidir qual será o próximo passo.
Minha história com o turismo e a natureza
Sou natural de Campo Grande, em Mato Grosso do Sul, e vivo em Roraima desde 1987. Foi nesse território, entre paisagens grandiosas e uma diversidade natural difícil de traduzir em palavras, que construí grande parte da minha trajetória pessoal e profissional, inclusive como sócio-diretor da Roraima Adventures, parceira e associada da ABETA de longa data.
Formado em Administração de Empresas, busquei ao longo dos anos capacitações em marketing turístico, gestão de pessoas e segurança no turismo de aventura, além de atuar com turismo receptivo e de natureza, palestras, projetos e iniciativas voltadas ao desenvolvimento regional.
Nesse caminho, ajudei a criar e desenvolver roteiros de expedição ao Monte Roraima, ao Monte Caburaí e ao Pico da Neblina, além de experiências de observação de aves, orquídeas e outros percursos ligados à natureza da Região Norte. Mais do que uma atividade profissional, o turismo de natureza se tornou parte de quem sou e me trouxe desafios, amizades, aprendizados e uma forma muito particular de compreender a vida.

O que estou plantando hoje?
Nem todo mundo precisa escalar o Monte Roraima ou enfrentar uma expedição ao Pico da Neblina. A principal lição das montanhas é a constância, pois nenhum cume é alcançado de uma só vez. Você pode começar com uma caminhada. Pode trocar o elevador pelas escadas, organizar uma trilha no fim de semana, pedalar, nadar, dançar ou simplesmente passar mais tempo ao ar livre. O importante é descobrir uma forma de movimento que faça sentido para você!
Chegar à maturidade com disposição, autonomia e clareza mental é também uma construção feita pelas escolhas que repetimos ao longo da vida. Depois dos 60 anos, aprendi que nem todas as montanhas são feitas de pedra: algumas são medos, hábitos, inseguranças e limites que construímos dentro de nós.
Não espere o amanhã para dar o primeiro passo.
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