Turismo de Aventura no Brasil: crescimento do mercado pós pandemia e acidentes atuais
Notícias boas primeiro:
O Brasil, antes da pandemia do COVID 19, vinha em franco crescimento das atividades turísticas, e buscando a consolidação junto ao mercado internacional de alguns dos segmentos turísticos com grande potencial de expansão, como o turismo de aventura.
Em 29 de novembro de 2020, a Embratur noticiou que o Brasil foi eleito como o “Melhor País do Mundo para o Turismo de Aventura”. O título foi resultado de um estudo produzido pelo portal US News & World Report, que levou em conta diversos critérios, como a qualidade dos destinos, a segurança para a prática de esportes radicais, a infraestrutura turística e o potencial de experiências inesquecíveis em meio à natureza. O Brasil despontou à frente de países tradicionais no quesito, como Itália, Grécia, Espanha e Tailândia.

Segundo o IBGE, entre 2020 e 2021, anos muito marcados pela pandemia de Covid-19, o número de viagens realizadas por moradores de domicílios particulares permanentes no Brasil caiu de 13,6 para 12,3 milhões. Já em 2023, esse total saltou para 21,1 milhões, um aumento de 71,5%, incluindo as viagens nacionais e internacionais.
“O lazer, que motivava 33% das viagens com fim pessoal em 2020, passou a representar 38,7% dessas viagens em 2023, e a visita e evento de familiares ou amigos saiu de 38,7% para 33,1%, mostrando assim uma mudança no principal motivo para esse tipo de viagem. Durante a pandemia, as pessoas viajavam para visitar amigos e parentes e, após esse período, cresceu a busca pelo lazer”, ressalta o pesquisador. Entre os tipos de lazer que motivaram as viagens, o maior destaque foi a busca de “sol e praia”, respondendo por 46,2% do total. Em seguida, aparecem as viagens em busca de “natureza, ecoturismo e aventura” (22,0%) e para “cultura e gastronomia” (21,5%). A categoria “outro”, que abarca, por exemplo, atividades heterogêneas como as esportivas e os encontros de idosos, representou 10,2% do total” (William Kratochwill 2024).
Notícias sobre acidentes
Junto com todo esse crescimento, o número de acidentes nas atividades de turismo de aventura aumentou também, e com mais acidentes acontecendo, a mídia e redes sociais voltaram a dar grande destaque ao assunto, tratando sem distinções a atividade turística da atividade esportiva, o que majora o número de acidentes e desinforma o público leitor.
Além dos dois acidentes com balonismo que ganharam repercussão e causaram certa comoção nacional, com todo o respeito aos familiares e amigos das vítimas, trago as chamadas de algumas matérias e notícias sobre o tema – todas de 2025.
O Portal G1 noticiou em 20 de abril: “O Instituto Estadual de Florestas de Minas Gerais (IEF-MG) e o Corpo de Bombeiros fecharam, temporariamente, o atrativo natural Cânion do Peixe Tolo, onde dois turistas morreram na tarde deste sábado (19).”
Portal da Folha noticiou: “Próximo ao meio-dia desta quinta-feira, 10 de julho, uma criança autista caiu de uma altura ainda não confirmada no Cânion Fortaleza, um dos principais pontos turísticos do Parque Nacional da Serra Geral, em Cambará do Sul. A ocorrência mobiliza forças de resgate da região.”
TV Senado realizou uma Live debatendo regras e cuidados com o turismo de aventura dia 11 de julho às 9h – A live contou com especialistas da ABETA onde foi enfatizada a necessidade de profissionalização e implantação de procedimentos e protocolos de gestão de risco especialmente conforme a norma de sistemas de gestão da segurança, ISO 21101.
Portal G1 noticiou em 26 de julho: “Turista morre após cair de altura de cerca de 50 metros durante highline na Chapada dos Veadeiros”. “Segundo o Corpo de Bombeiros, a vítima praticava highline no momento da queda. Socorristas contaram que vítima caiu às margens do poço de cachoeira.” (Neste acidente, a vítima era um esportista, não um turista).
Portal G1 noticiou em 09 de agosto: “Homem que morreu em queda de parapente tinha feito mesmo salto 5 dias antes no Parque da Cidade, em Niterói (…)”. “No salto desta sexta-feira, Luan Calor Cannelas Gomes da Silva e Vanessa do Nascimento Alves sofreram um acidente e morreram na hora. Os dois deixam uma filha de 3 anos. Nas redes sociais, Luan se apresentava como piloto de parapente e estava divulgando voos no local, em Itacoatiara e Maricá.”
Os acidentes mais recentes mostram que a segurança ainda é um grande problema no setor, com falhas na fiscalização, falta de protocolos de segurança e qualificação de profissionais, além do comportamento de turistas que priorizam fotos nas redes sociais em vez de admirar a natureza. É fundamental que as empresas e o poder público reforcem a regulamentação e fiscalização, e que os turistas também façam a sua parte, buscando empresas sérias e se informando sobre os riscos de cada atividade.
Principais causas dos acidentes:
- Falta de fiscalização e informalidade:
O setor de turismo de aventura sofre com a falta de fiscalização adequada e um alto nível de informalidade, o que dificulta a qualificação dos profissionais e o cumprimento de normas de segurança. - Falta de profissionalização e qualificação:
Muitos acidentes ocorrem devido à falta de profissionais qualificados e à ausência de manutenção preventiva de equipamentos. - Comportamento dos turistas:
Há uma mudança no perfil dos turistas, que muitas vezes priorizam a publicação de fotos nas redes sociais, colocando-se em risco em penhascos e em áreas perigosas para fazer selfies. - Falta de planos de emergência:
A ausência de planos de emergência eficientes e a falta de informação sobre o grau de dificuldade de trilhas também contribuem para acidentes.

Medidas para melhorar a segurança
Para empresas e o setor:
- Implementar gestão de segurança:
Empresas de turismo de aventura são obrigadas a ter um sistema de gestão de segurança implementado, conforme a norma ABNT NBR ISO 21101:2014. - Manter equipamentos e documentação:
É crucial a manutenção preventiva de equipamentos e a regularização da documentação obrigatória para a operação. - Cursos e treinamentos:
Investir na qualificação dos profissionais e na formação de guias e condutores é essencial.
Para o Poder Público:
- Fortalecer a regulamentação:
Há um apelo por regulamentação mais clara e fiscalização eficiente do turismo de aventura no Brasil, com apoio do Ministério do Turismo. - Criar mecanismos de prevenção:
É necessário estabelecer mecanismos para prevenir e responder a incidentes, evitando que tragédias ocorram.
Para os Turistas:
- Buscar empresas qualificadas:
Ao escolher um serviço de turismo de aventura, o turista deve verificar se a empresa é formalizada, possui sistema de gestão de segurança e o credenciamento necessário. - Se informar e se preparar:
Antes de realizar uma atividade, é fundamental pesquisar sobre o grau de dificuldade, as condições climáticas e o itinerário, além de informar um familiar sobre o passeio. - Evitar riscos desnecessários:
Não se colocar em situações perigosas, especialmente para tirar fotos, e admirar a natureza de forma segura.
Afinal de contas, quanto vale a sua segurança?
* Artigo publicado originalmente na Revista Abeta Summit 2025, que você pode conferir aqui.
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