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Como o ecoturismo e o turismo de aventura podem moldar o futuro do setor em Brasília

Em Brasília, as decisões que moldam o futuro dos setores econômicos não acontecem ao acaso. Leis, decretos, portarias e políticas públicas surgem diariamente, e quem está presente nos espaços de discussão tem mais chances de ser ouvido, influenciar o resultado e garantir segurança para seus negócios. No ecoturismo e no turismo de aventura, essa presença não é apenas estratégica — é vital para a sobrevivência e o crescimento sustentável do setor.

A recente reforma tributária deixou uma lição clara: os setores que conquistaram redução de alíquota foram justamente aqueles que acompanharam de perto as negociações, com presença constante em Brasília. Não se trata apenas de “visitar” o Congresso ou um ministério, mas de construir relações, apresentar dados e mostrar, de forma concreta, a relevância econômica e social de suas atividades. Cabe lembrar que a regulamentação ainda está por vir, logo, ainda há muito trabalho a ser feito.

O mesmo acontece agora com a Lei Geral do Turismo, em fase de regulamentação pelo Ministério do Turismo. Quem ocupa o espaço das audiências, leva propostas técnicas e dialoga com os tomadores de decisão, influencia diretamente no texto final — e, portanto, no futuro das atividades turísticas no Brasil.

Abeta representando o setor
Abeta representada na reunião do Conselho Empresarial de Turismo e Hospitalidade - CETUR/CNC

Reputação e Risco: Dois lados da mesma moeda

O setor também precisa estar atento às crises de reputação. Um incidente isolado, mal comunicado, pode gerar pressões por regulamentações mais duras, que acabam atingindo todo o ecossistema, mesmo aqueles que nada tiveram a ver com o problema. É aí que entra o advocacy preventivo: mostrar boas práticas, divulgar iniciativas de sustentabilidade e reforçar a imagem positiva do turismo de natureza antes que uma crise se instale.

Estar presente, portanto, não é apenas para reagir, mas para antecipar cenários e criar um ambiente regulatório favorável, através da constante comunicação do valor do negócio para a sociedade.

“Quanto mais presentes e organizados estivermos, mais força teremos para transformar boas ideias em leis, programas e incentivos que fortaleçam o turismo de natureza.”

Ocupando espaços, construindo soluções

Quando falamos em “ocupar os espaços de decisão”, estamos falando de algo muito concreto: participar de consultas públicas, integrar conselhos e grupos de trabalho, marcar presença em audiências e reuniões estratégicas. É nesses momentos que se constroem as regras que vão ditar como será possível operar e crescer.

Empresas que operam sob regras estáveis e previsíveis têm mais confiança para investir, inovar e expandir. No turismo de natureza, essa segurança significa, também, garantir que legislações ambientais, tributárias e trabalhistas considerem as especificidades do setor, evitando entraves desnecessários e promovendo um desenvolvimento alinhado à preservação ambiental.

Um chamado ao setor

O ABETA SUMMIT é mais que um encontro inspirador: é o momento para alinhar uma agenda de representação em Brasília. Empresários, gestores, guias, condutores, comunidades e pesquisadores precisam entender que influenciar políticas públicas não é papel apenas de grandes corporações. É uma responsabilidade coletiva, que protege o setor de riscos e abre novas oportunidades.

O futuro do ecoturismo e do turismo de aventura não será decidido apenas nas trilhas, rios e montanhas que encantam nossos visitantes. Ele será definido também nas salas de reunião, nos corredores do Congresso e nos gabinetes ministeriais. Estar ausente significa aceitar que outros decidam por nós.

Estar presente é garantir que o setor cresça com segurança jurídica, sustentabilidade e visão de longo prazo — e é para isso que precisamos ocupar a mesa de decisão.

Artigo publicado originalmente na Revista Abeta Summit 2025, que você pode conferir aqui.

Os artigos assinados são de responsabilidade de seus autores. Direitos reservados. Para reproduzir é necessário citar a fonte.

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Leonardo Volpatti

Leonardo Volpatti é advogado, cientista político e especialista em relações governamentais, com 15 anos de experiência em advocacy e gestão de riscos políticos e jurídicos para setores estratégicos como turismo, eventos, energia e indústria farmacêutica. Sócio do Volpatti Advogados Associados, atua na defesa de políticas públicas, na articulação com tomadores de decisão e na elaboração de estratégias para mitigar riscos e impulsionar o desenvolvimento econômico sustentável.