Na linha do Equador, o lado da imensidão amazônica, uma terra de natureza exuberante, histórias, tradições e sabores que surpreendem. O estado é um dos destinos mais autênticos e fascinantes do país.
O estado do Amapá é um dos mais desconhecidos para os brasileiros. Muitos consideram que ele fica no fim do mundo. Contudo, literalmente, ele se encontra no meio, com a linha do Equador percorrendo sua capital, Macapá, e cortando seu Estádio de Futebol, o Zerão. Assim, nos jogos de futebol, a cada meio tempo, o time joga em um hemisfério. Não se sabe, ainda, se esse fato impacta os resultados das partidas.
Resultado de uma longa luta entre brasileiros e franceses ao longo dos séculos XVIII e XIX, o Amapá é rico em minérios, inclusive ouro. Hoje, as relações são tão amistosas que apenas os habitantes da colônia francesa (Guiana Francesa) “descobriram” as atrações do estado. Nas férias escolares, os hotéis ficam repletos de famílias guianesas. Os brasileiros as desconhecem.
O Amapá tem coisas muito específicas. Macapá é a única capital banhada pelo Amazonas, localizada em seu estuário. É o único estado carbono negativo, com cerca de 70% de seu território em unidades de conservação. Entre elas, o maior parque nacional, o Parque das Montanhas do Tumucumaque, com 39 mil km². Possui ecossistemas diversos como floresta tropical, cerrado e manguezal. E, em um único dia, pode-se passar de um a outro, em meio às dezenas de rios que cortam o território amapaense.

O estado é repleto de curiosidades e atrativos turísticos. Em sua capital, encontra-se a Fortaleza de São José de Macapá, a maior e mais conservada do gênero no Brasil; o Museu de História Natural Sacaca; a praia de Fazendinha; o Marco Zero da Linha do Equador, entre outros. Há curiosidades pouco conhecidas, como o cemitério nazista e os restos da base americana que servia de apoio aos aviões norte-americanos que se dirigiam à África.
O forte, porém, é sua natureza, sua biodiversidade, um convite a aventuras por trilhas de castanhais, por florestas naturais, percorridas apenas por indígenas. E a sua sociobioeconomia, que produz frutas como açaí, cacau, cupuaçu, camu-camu, castanhas e óleos, por extrativistas, quilombolas e ribeirinhos. É possível conhecer o pau-rosa, do qual foi criado o perfume Chanel Nº 5. Como também praticar a pesca esportiva na região dos lagos ou ao sul, em torno das cachoeiras de Santo Antônio. Alguns já o denominaram de “estado parque”.

A gastronomia em Macapá é uma das melhores do Brasil, com seu pescado fresco, e enorme variedade, do mar, dos rios e do mato. Feitos em molhos de óleos (pracaxi), raízes (tucupi), de folhas (jambu) e frutos (pupunha). Que são igualmente inúmeros. A cidade possui pelo menos uma dúzia de excelentes restaurantes. Tomar um caldo de mojica à noite, em frente ao rio Amazonas, sem conseguir enxergar suas margens do outro lado, apenas água a nossa vista, ou comer um camarão no bafo, fresquinho, acompanhado da bebida preferida do gourmet, são vivências gastronômicas inesquecíveis.
Mas não se pode partir de Macapá sem visitar a Flor de Samaúma, para percorrer de barco a floresta amazônica e degustar o tinto de açaí, produzido por seu ex-governador, hoje empresário, João Alberto Capiberibe. E, se tiver sorte, escutar suas histórias incríveis de luta pelo desenvolvimento sustentável de Amapá, desde quando foi prefeito e depois governador. Prepare-se para a surpresa: a sensação do tinto do açaí é a de estar degustando um vinho novo de Bordeaux. Ou, para os que preferem, um delicioso “vinho” branco de cupuaçu, e mesmo de taperebá.
Para quem gosta de desbravar novos territórios, novas paisagens e novos sabores é um prato cheio e diferente. Com muito mais segurança e bom acolhimento do que se imagina.
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